O
historiador argentino Luís Alberto Romero (2011) afirmou em um de seus textos
que as construções da memória e da história "esquentam" ou
"esfriam", de acordo com o objeto com o qual lidam. Um objeto seria
"frio", caso se tratasse, por exemplo, da memória sobre o passado
romano construída durante o Império. A "temperatura aumentaria", se o
tema fosse a memória da nação e seus mitos de origem. Atingiria seu "ponto
máximo", quando se tratasse da memória do passado recente, ou melhor,
daquela parte do passado recente que dói. Em outras palavras, o passado que dói
seria aquele que ainda tem estreita conexão com o mundo em que vivemos e
atuamos. No nosso caso, esse passado seria o militar, e o da nossa recente
experiência democrática. Tais questões ainda provocam muitas controvérsias e se
confundem com militância política mais frequentemente do que ocorreria em temas
mais "frios". Romero ainda prossegue afirmando que: "O
historiador como pessoa tem duas almas, que coexistem, em harmonia ou conflito:
é ao mesmo tempo cidadão e historiador...” (2011, p02). Algumas vezes, atua
como um, outras, como outro, e em outras trata de encontrar um equilíbrio, um
balanço. Nos estudos do 'passado que dói' finalmente se adverte para essa dupla
condição: ator comprometido e analista; cidadão que defende valores; e
praticante de um saber que os relativiza.
Viver é uma arte
quarta-feira, 4 de julho de 2012
quarta-feira, 2 de maio de 2012
A importância da leitura
O primeiro passo para escrever bem é ler bem. Ler em
quantidade e qualidade. Como posso cobrar que meu aluno leia se eu mesmo não o
faço?
"Um professor mal preparado e desmotivado não consegue
dar boas aulas nem com o melhor dos livros, ao passo que um bom professor pode
aproveitar-se de um livro com falhas para corrigi-las e desenvolver o velho e
bom espírito crítico entre os seus alunos. Mais do que o livro, o professor
precisa ter conteúdo. Cultura. Até um pouco de erudição não faz mal algum. Sem
estudar e saber a matéria não pode haver ensino. É inadmissível um professor
que quase não lê. Se o tempo é curto, se as condições de trabalho são
precárias, se o salário é baixo, se o Estado não cumpre a sua parte, discuta-se
tudo isso nas esferas competentes e lute-se para melhorar a situação dos
docentes, em vez de usar isso tudo como desculpa para a falta de empenho
pessoal em adquirir conhecimento, entrar em contato com uma bibliografia
atualizada, conhecer novas linhas de pensamento e discutir com colegas
estratégias para operacionalizar nas salas de aula o patrimônio cultural e
histórico" (Pinsky & Pinsky, Op. Cit., 2003, 22).
Há muito tempo, ler deixou de ser visto como um ato passivo
e neutro. Ao ler este texto, como qualquer outro, você também está produzindo
cultura. A leitura é prática criadora - tão importante quanto o gesto da
produção de um texto. Pode-se dizer, ainda, que cada leitor recria o texto
original de uma nova maneira - isto de acordo com os seus âmbitos de
"competência textual" e com as suas especificidades. Assim, cabe a
nós, como historiadores e professores, ler e incentivar em sala de aula a
capacidade dos alunos de comparar o texto com outros que leu. Claro que a
apropriação de fontes segue abordagens específicas, métodos diferentes e
técnicas diversas que nunca devem ser postas de lado
sexta-feira, 23 de março de 2012
Bach (riacho, em alemão) deveria se chamar Ozean (oceano) e não Bach!". A frase é de ninguém menos que Ludwig Van Beethoven
e, se um músico da grandeza de Beethoven assim se pronuncia sobre ele,
bem se pode imaginar a dimensão que se pode atribuir ao compositor
barroco Johann Sebastian Bach.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O que é a Indisciplina?
Gente, a indisciplina escolar é um dos problemas enfrentados pelos professores (talvez o maior). De acordo
com Ratto pode-se dizer que a indisciplina é “...aquilo que impede a disciplina
de constituir-se como tal...(RATTO, 2007, p 501)”. Se formos procurar no
dicionário encontraremos entre outros significados:
“...Imposição de autoridade, de método, de
regras ou preceitos...respeito à autoridade, observância de regras, métodos e
preceitos, o conjunto de prescrições ou regras destinadas a manter a boa ordem
resultante da observância dessas prescrições e regras...”( CALDAS AULETE, 1964,
p1246)
Pode-se observar dentre essas apontações como um conjunto de fatores que
dão uma ordem às convenções sociais, ou seja, onde se tem vários indíviduos sob
um mesmo modo de vida ou convivendo em uma instituição como no caso das
escolas. É a disciplina que dirige as relações e o comportamento pois o
essencial da educação é moldar os humanos à convivência social. Nota-se que no
ambiente escolar os professores, os alunos e os momentos do ensino estão
articulados em um processo geral do ensino. Mas para que haja a ordem e tudo
funcione como se deve, é preciso que cada um saiba seu papel dentro desse
processo, isso só se efetiva através do hábito e da repetição. Para Foucalt
“... a disciplina é a técnica de um poder que toma os indivíduos ao mesmo tempo
como objetos e como instrumentos de seu exercício...” (FOUCALT, 1977, P 163),
nesse sentido o ato disciplinador vai fornecer à sociedade pessoas que são
úteis e produtivas para garantir o equilíbrio dentro da prática social. Disciplina e ordem já!
RATTO. Ana
Lúcia. Cadernos de pesquisa: Disciplina, Vigilância e pedagogia. São Paulo:
autores associados. 2007.
FOUCALT, Michel. Vigiar e Punir, Rio de Janeiro: Vozes,
1977, P 163
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
O tempa passa, o tempo voa e o planeta continua numa boa?!
Desde há milênios o homem tende a querer se sobressair perante aos demais;
sabe-se que é pelo coletivo que se forma a identidade, assim tomamos o
pensamento de hoje o exemplo de grandes cidades-estado gregas. Cada uma com seu
fascínio e suas mazelas. Mas deixo uma filosófica questão: o respeito se faz
pelo direito adquirido ou imposto?
Sólon (Atenas) e Licurgo (Esparta): diferentes ideias políticas no Mundo Grego
As cidades-Estados sobre as
quais sobreviveram mais informações são Atenas e Esparta. Essas sociedades
eram, aliás, bem diferentes e freqüentemente lutaram uma contra a outra. A
sociedade espartana era considerada rígida (nos dias de hoje, quando queremos
dizer que alguma coisa ou pessoa é muito cheia de regras, fechada, dizemos que
é "espartana"). Em Esparta, os homens viviam para a vida militar.
Eles só podiam casar depois de terem sido educados pelo Estado, em acampamentos
coletivos, onde viviam dos 12 até os 30 anos. Para o governo, existiam os
conselhos de velhos, que controlavam a sociedade e definiam as leis. As mulheres
espartanas cuidavam da casa e tinham também uma vida pública: administravam o
comércio na ausência dos homens. Já Atenas, que foi considerada o exemplo mais
refinado da cultura grega, teve seu apogeu cultural e político no século 5 a.C.
Na sociedade ateniense, diferentemente de Esparta, as decisões políticas não
estava nas mãos de um conselho, mas sim no governo da maioria, a democracia.
Dentro desse sistema, todos os cidadãos podiam representar a si mesmos (não
precisavam eleger ninguém) e decidir os destinos da cidade. Ao mesmo tempo em
que Atenas abria o espaço para os cidadãos, reservava menor espaço para as
mulheres do que na sociedade espartana. Em Atenas, as mulheres, assim como os
escravos, não eram consideradas cidadãs.
domingo, 15 de janeiro de 2012
CIDADANIA
A história como disciplina escolar sempre trabalhou com as
noções de "identidade nacional", "cidadania",
"Estado" e "nação". Historicamente, o ensino de história
foi marcado desde o século XIX pelo ideário das nacionalidades; na França, o
discurso liberal defendeu a laicização da sociedade e a formação da nação
moderna. Estes princípios foram os norteadores do sistema educacional francês,
como também da organização dos currículos de história. No Brasil, sempre isso
ocorreu. Hoje se pensa que é necessário que os educadores assim como os
historiadores se preocupem, na escola, com a formação de uma consciência social
e política dos educandos, fornecendo elementos para que pensem historicamente.
Isso significa pensar a nação como um espaço social de inclusão de todas as
camadas sociais e não olharem os movimentos sociais e políticos das massas como
ações direcionadas à ingovernabilidade. Os temas identidade e cidadania ficaram
mais evidentes nesses novos parâmetros, se comparados com os currículos
anteriores, e tiveram como meta focalizar a formação da cidadania entendida.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
História e cultura afro-brasileiras.
Todas as escolas públicas e particulares da educação básica
devem ensinar aos alunos conteúdos relacionados à história e à cultura
afro-brasileiras. Desde o início da vigência da Lei nº 10.639, em 2003, a
temática afro-brasileira se tornou obrigatória nos currículos do ensino
fundamental e médio. Apesar disso, a maioria dos alunos ainda não conhece a
contribuição histórico-social dos descendentes de africanos ao país. As
mudanças não estão ocorrendo apenas na parte estrutural, mas também são
sentidas na pele por alunos e professores. Estes, agora, têm de buscar
atualizações, cursos de extensão e etc; aqueles, terão que se acostumar a
conhecer novas culturas e histórias diferentes das quais estamos expostos todos
os dias. Além disso é preciso combater o racismo e fazer com que haja mais
respeito à diversidade, aos que são considerados diferentes, que sejam apenas
diferentes, que eles não sejam desiguais, isso com o auxílio de uma produção do
material didático eficaz e sensibilização dos gestores da educação.
Obra de Rugendas
Obs: O pintor alemão Johann Moritz Rugendas nasceu no dia vinte e nove do mês
de março do ano de 1802, em Augsburgo. Fez viagens incríveis pelo
Brasil e nessas viagens, pintou obras maravilhosas tendo como inspiração
os costumes dos povos.
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